Vítimas contam como foram enganadas por mulher de 38 anos que dizia ser jovem de 12
Domingo Espetacular • 214.4K views • 19h ago
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Como uma mulher de 38 anos conseguiu se passar por uma criança por mais de uma década, sem que ninguém percebesse? Amanda comovia as pessoas dizendo que tinha sido abandonada, abusada e vítima de rituais. Os alvos eram pessoas ligadas a causas sociais.
Quando a farsa corria risco de ser descoberta, Amanda mudava de cidade e de estado e começava tudo de novo. Ela se apresentava como uma criança para receber moradia, alimentação e cuidados destinados a menores de idade.
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, nasceu no Ceará e atravessou o Brasil. Possui registros em pelo menos seis estados.
No Distrito Federal, foi Gabriela em 2013. Em 2014, foi Melissa em Goiás. E em Minas Gerais, em 2018, se chamava Beatriz. Todas sempre com a mesma idade: 13 anos.
Amanda mudava de nome, mas quase nunca de papel. Passava-se por uma menina doente, abandonada, vítima de abuso e violência. Nas fotografias, aparece com roupas infantis, chupeta e mamadeira.
Tatiane tatuou no braço, junto com os nomes dos filhos, uma das identidades falsas que Amanda usava. Para convencer a vítima, Amanda criou três personagens: a avó Solange, o pai Ricardo e a mãe Adriana. Ela mandava mensagens para Tatiane se passando por eles. No meio do enredo, ela teria se curado de um suposto câncer graças à doação de medula do pai. É aí que a história começou a ficar ainda mais duvidosa.
Segundo ela, a mãe morreu num acidente de carro. Depois disso, o pai passou a assediá-la sexualmente, até ser descoberto e internado em um hospital psiquiátrico, onde teria tirado a própria vida.
Tatiane tentou encontrar Amanda pessoalmente, mas a suposta avó não teria permitido. Foi então que Tatiane começou a desconfiar. Desmascarada, Amanda fugiu.
Durante todo o vai e vem, em meio à série de golpes, Amanda foi presa diversas vezes. Nós tivemos acesso a vídeos de audiências de custódia em que ela presta depoimentos.
No início deste mês, a falsa adolescente foi novamente presa enquanto enganava mais uma família, desta vez em Joinville, Santa Catarina. Ela chegou a viver 14 meses como filha adotiva de um casal. O Ministério Público do Estado a denunciou por estelionato e falsa identidade.
A denúncia revela que ela conseguiu moradia, alimentação, transporte e até medicamento de alto custo para emagrecer. Com a repercussão do caso, as investigações foram reabertas em outros estados.
Não tenho dúvida em afirmar para você que este é um caso raro da psiquiatria, mas muito conhecido. Ele se chama Síndrome de Munchausen. Este é típico, é clássico e rico também em sinais e sintomas.", explica o psiquiatra forense Guido Palomba.
Exames de Raio-X mostram centenas de agulhas espalhadas pelo corpo de Amanda. A polícia acredita que ela mesma introduzia o material para enganar as vítimas. A história comoveu a Renata, de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.
Amanda se apresentava como Duda, dizia ter transtorno do espectro autista e simulava crises. Foi em uma dessas crises que Renata e Viviane decidiram procurar ajuda da polícia para encontrar parentes da menina.
Ao longo dos anos, Amanda não enganou apenas as famílias que a ajudaram. Conseguiu convencer também profissionais e instituições acostumados a lidar com situações de vulnerabilidade. Pessoas treinadas para identificar sinais de abuso e abandono. Para isso, não só inventava as histórias: ela estudava passo a passo da versão que iria criar.
No celular dela, a polícia encontrou buscas por sintomas de autismo e pesquisas de desenhos feitos por crianças deprimidas. Um jeito para enganar as vítimas. Gente experiente como Delma Soares, que é assistente social em Minas Gerais e conviveu com a falsa adolescente por três anos.
Delma chegou a levar a mulher para casa em um fim de ano. Ela conta que Amanda ficou agressiva quando foi informada que precisava voltar ao abrigo.
Desde o dia 2 de junho, Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, está presa preventivamente. A Justiça de Santa Catarina aceitou a denúncia do Ministério Público por estelionato e falsa identidade. Se houver um transtorno, ela poderá ser tratada.. Tatiane, uma das vítimas, diz que ela deve ser tratada, mas em regime fechado.
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